Quando a tristeza tomou conta dos gaúchos…

O dia acordou cinza, acordou com a fumaça que adentrou nossos lares e contagiou nossas famílias e amigos.

Tive vontade de chorar, tive vontade de não saber o que acontecia, mas aos poucos todas as notícias iam se alastrando como a fumaça e o fogo que deram fim à vida daqueles jovens.

O Rio Grande do Sul se tornou um pago de luzes apagadas e o silêncio se transformou na canção mais ouvida por estes lados.

Não perdi ninguém próximo de mim, mas senti a dor de quem ouviu a orquestra de toques incansáveis de telefones na esperança de que surgisse uma resposta do outro lado, um sinal de vida, um “eu estou bem”.

Senti o pânico de quem quebrou paredes com toda a força que tinha para tentar, de alguma forma, salvar vidas.
Senti o nervosismo de quem entrou nos banheiros, acreditando ser a saída, quando na verdade era a entrada para o fim.
Senti a angústia ao ver as mídias enlouquecidas em busca de uma reportagem especial.
Senti o fervoroso espetáculo midiático, apelativo ao extremo, fuçando cada lugarzinho das redes sociais em busca de vestígios dos acontecimentos.

Naquela madrugada, estava em casa, em minha cama, protegida e com as pessoas que amo, mas em outro canto do Estado mais um jovem chorava e dizia as suas últimas palavras.

A cada história que li e ouvi, senti um aperto mais forte por perceber a minha incapacidade humana de ver sofrimentos e de aguentá-los sem poder fazer nada.

Senti-me mal, talvez pelas reportagens que eu não queria ver, mas acabava vendo porque não conseguia acreditar em tamanho sofrimento, pareciam irreais, cenas de um filme de terror.

Não tive vontade de comer e nem de dormir na última segunda-feira.
Pensamentos ecoavam e as opiniões que vieram de diversos lados aumentaram meu desprezo pela ignorância humana. Preconceitos, xingamentos e piadinhas que vinham de diversos locais do país, até alegaram que os gaúchos mereciam tamanho acontecimento.

Cá entre nós, naquela noite podia ser qualquer um, em qualquer lugar do país, em qualquer cantinho desta nação. Não foi só lamentável o acontecido, mas as opiniões e a desumanidade de muitos.

Choremos pela falta de humanidade, enquanto ela está morrendo.
Choremos pelas dores de amigos e familiares.
Choremos pela transformação da informação em audiência e evento nacional.
Choremos por buscas de oferecer o melhor para os visitantes durante a copa do mundo e das olimpíadas, enquanto nossos jovens morrem por pura negligência da fiscalização e da administração de um local de eventos.
Choremos pra tentar lavar a alma e por acreditar que de alguma forma isso pode ser mudado.

Infelizmente as vidas que se foram não irão voltar.

Aos poucos o cinza das ruas e das almas voltará a ter cor, mesmo carregando uma ponta de tristeza.

Felicidade

A felicidade é simples, sem exageros, sem grandes coisas, sem conteúdos materiais. A felicidade verdadeira é quando encontramos o melhor que podemos ser e nos encontramos com o verdadeiro sentido da vida, o amor completo.
E para encontrá-la é preciso ter atenção, sentir, ter faro, deixar os sentimentos falarem, do contrário, é felicidade passageira, prazer do momento, meu caro.
Para ser feliz é preciso ter coragem e perder o medo.
É preciso deixar a maldade de lado e ser o melhor que se pode ser.
É assim que acontece, é assim que deve ser…
Isso não é uma mensagem de auto-ajuda, ou coisa assim…
Não sou disso. Meus pensamentos falam por mim, experiências vividas e acompanhadas.
Vejo o mundo em um caos diário correndo atrás de todas as coisas. Vejo pessoas perdendo a sua essência e deixando fluir a inveja, a dor, a ganância etc.
De fato, isso é deprimente.
Sinceramente, auto-ajuda é quando vamos ao interior de nós mesmos e fazemos as pazes com o nosso particular. Andar de mal por aí, reclamando das coisas, é um pessimismo exagerado, e particularmente, não gosto de pessimismo.

O primeiro passo para a felicidade pode ser o “acreditar” nela.
O segundo dele pode ser se encontrar.
E depois podemos compartilhá-la da forma mais pura que existe.

Eu a encontrei e você?

O fim do mundo está chegando…

Nos dias em que se espera fervorosamente pelo grande momento, o mundo todo está compenetrado na ideia: o fim do mundo.
Sim, o fim dos tempos foi traçado pelo povo Maia, há alguns anos atrás e a superstição foi trazida até os dias atuais, acompanhada frequentemente pelas mídias e pelos curiosos de plantão. Mas o fato é: será que ele vai mesmo acontecer no dia 21 de dezembro de 2012?

O Vaticano negou tal acontecimento, a Nasa também disse que não há possibilidade. Há quem diga que ele vai ser adiado e outros que acreditam que ele vai realmente existir!

Cá, entre nós, quantos ficarão decepcionados se este final dos dias não acontecer? Imaginem o que dirão os crentes efusivos na data, que preparam as mais grandiosas festas para este momento especial.

E o que diria o povo Maia a respeito deste fato? O que estariam pensando os grandiosos filósofos a respeito do caso? E se sobrevivêssemos a esse fim, como seria o planeta que iria nos restar?

Fato é, que eu já sobrevivi ao fim do mundo algumas vezes. Em 1999 Nostradamus previa: “No (…) sétimo mês / Do céu virá o grande rei do terror”. (Ninguém viu o terror e muito menos o rei.).

Já no ano 2000, é claro, na virada de milênio… Agora sim o mundo vai acabar: blecautes, explosões nucleares, computadores entrando em pane (corram para as colinas!), e nada aconteceu.

Sou a favor sim do fim do mundo (somente para alguns políticos, por exemplo. O fim do mundo deles seria interessante para a felicidade geral da nação. Apesar de ser uma boa ideia, duvido muito que isso seja um caso a acontecer.).

Mas, se o mundo acabasse realmente, daqui alguns dias, poderia dizer que vivi tudo o que gostaria de ter vivido, sem tirar nem por, porque tudo até agora foi tão válido. Tudo foi um aprendizado.

Se o mundo acabasse amanhã, por exemplo, não iria ficar espantada, mas queria ter alguns minutos para dizer às pessoas importantes da minha vida o quanto significaram.

Se o mundo acabasse agora, daqui um minuto, queria dizer que acredito e sempre acreditei nos homens e que todos têm algo bom, porém, por acaso do destino ou da vida eles acabaram se afundando em algum desgosto do caos, da violência, do egoísmo, da ganância e do poder.

Se tudo acabasse, poderia dizer que tive o que foi preciso, nunca almejei a ganância, o poder, o dinheiro e a grandeza. Grandeza para mim está em quem se é, não no que se tem para mostrar. Minha grandeza está na família, no que carrego comigo pelas pessoas, nos sentimentos, na compaixão e no amor.

Todo dia na verdade é um fim do mundo, às vezes feliz, às vezes triste. Mas no dia seguinte acordamos com um novo mundo, renovado e esperando para ser vivido até as suas últimas horas.

Queria ter dito que às vezes queria ter sido como os outros, menos humano, menos emotivo, menos envolvido, menos… Talvez isso me transformasse em mais? Não sei, não sei.

Se o mundo acabasse agora, a humanidade toda perderia a chance de começar um novo dia amanhã. Presos, bandidos, mães separadas de filhos, casais separados, pessoas abandonadas, bebes deixados ao mundo, tudo ficaria para trás. Pedidos de perdão, lembranças de amizades, saudades de alguém, mágoas passadas, abraços apertados, brincadeiras em dias de frio, conversas demoradas, não existiriam mais.

E se ou mundo não acabar?

O mundo poderia parar de pensar no fim dele e fazer com que cada dia destes que estamos vivendo agora, seja (lembrando da frase clichê, mas sempre válida: “como se fosse o último”) aproveitado intensamente.

Lá no fundo ainda acredito na humanidade, mesmo que isso possa ser só uma esperança que vive em mim, um sonho de uma sonhadora.

Vai entender estes poetas…

Há quem tente fazer poemas por vontade de o ver escrito, a mim isso não acontece.
Ele chega a minhas mãos, prende-as em seus sentidos e me obriga a descrever o que sente.
Meu poema tem vida própria.
Este nobre ser se alimenta dos meus devaneios como um doido e apronta todas com os pensamentos. Se apropria de minha alma e se constrói em versos.
É meu caro, meu poema se faz, surge, sem espera, sem esforço,
tem vida própria e mais força do que o meu ser.
Tentarei eu dominá-lo?
Não sou louco, nem um pouco, ou seria talvez fosse o próprio poema?
Vai entender estes poetas…

Acordei

Na dúvida você procura questionar sem motivos aparentes, você começa a pensar no mundo ao redor e nos quantos passos já foram dados. Parece certo que quando amamos queremos dar o mundo a esse alguém. E nisso, algumas horas de distância parecem uma eternidade.

É tão intenso, forte e ao mesmo tempo calmo e doce, como a brisa do mar que costuma tocar nossos rostos, enquanto ficamos de frente para ele.

Acordei pensando em dizer ao mundo o quanto aprendi a amar, acordei com uma vontade de que o doce realmente fosse mais doce do que todas as outras vezes. Acordei com um sorriso no pensamento, com um olhar na lembrança e com uma vontade imensa daquele abraço.

Acordei querendo ser melhor que ontem, querendo ajustar os defeitos, melhorar os erros, e me tornar alguém melhor. Acordei querendo deixar a tristeza nunca mais chegar e também com o desejo de compartilhar o amor. Esse que é a fonte mais pura que existe para que estejamos ainda neste caminho. Esse amor que molha como chuva de verão, que traz sorrisos e emoções.

Acordei querendo viver o meu mundo com alguém, querendo compartilhar minha vida.

Acordei com tanta vontade de mudar o mundo e dizer aos quatro ventos o quanto isso era importante para mim.

Acordei assim, nessas manhãs que pensamos que nada vai mudar.

A cor dei, “dei cor”aos nossos dias, aos nossos passos. Me senti completa…

Sentes o poder que tens de me acordar assim? Definitivamente deves ser o que eu esperei desde o princípio.

O que são os famosos memes?

Vemos todos os dias através das redes sociais, e até mesmo em nosso dia-a-dia, jargões que se tornam assuntos em comum entre as pessoas. A princípio nas redes sociais percebemos a viralização de conteúdo, posteriormente a produção de novos conteúdos e a apropriação por parte de algumas marcas, pessoas e até mesmo programações televisivas destes memes.

O meme, conhecido atualmente, possui estudos de anos. O termo desenvolvido por Richard Dawkins no livro “O Gene Egoísta” e publicado em 1976, parte do pressuposto da evolução da cultura e genética. Ele trata-se de uma cultura que se desenvolve através de replicadores de conteúdos e informações, ou seja, através das pessoas.

O meme trata-se de uma ideia em comum, perpassada entre as pessoas, e que acaba se perpetuando entre seres com bases de  conhecimentos parecidos, significando e identificando o conteúdo proposto ao modo de vida de quem o acompanha.  Esse conteúdo é propagando entre os seres sociais, como imitação e identificação.

Recuero (2007) salienta aspectos essenciais identificados por Dawkins (2001) em memes. Ele enumera as características principais: longevidade, fecundidade e fidelidade:

“A longevidade é a capacidade do meme de permanecer no tempo. A fecundidade é sua capacidade de gerar cópias. Por fim, a fidelidade é a capacidade de gerar cópias com maior semelhança ao meme original.” (RECUERO, 2007, p. 24).

Conforme Recuero, este meme pode ser utilizado como replicador, ou seja, cópia de conteúdo. Por outro lado, este também pode ser chamado de metamórfico, quer dizer é transformado ao passo que perpassa blogs, sites e redes, fazendo com que sofra modificações em seu contexto e conteúdo, transformando-se em estímulo a interação. Os memes Miméticos são aqueles que mantém sua estrutura, porém são adaptados aos weblogs.

Para quem acompanha as redes sociais e weblogs é normal que vejamos esses memes espalhados por aí. Existem aqueles que são clássicos conhecidos na Internet e que ficaram famosos durante uma época, já outros surgem a cada dia na nossa telinha virtual.

Brad Kim é um jovem que estuda memes e possui um site especializado nesse conteúdo, o qual conta com cerca de 9,5 milhões de visitas por mês. Para saber mais acesse Know Your Meme.

Vocês já pararam para pensar de onde surgiram alguns memes que vemos diariamente? Pois então, vamos entender o contexto da criação de alguns:


Trollface – Foi desenhado por um usuário do DevianArt chamado Whynne, em Setembro de 2008. Essa imagem representa alguém que gosta de zoar, tirar onda ou provocar uma discursão desnecessária em fórum e sites de relacionamento.

Forever Alone – É uma tirinha derivada de “Rage Guy”, na qual o personagem principal expressa a solidão e a desilusão com a sua vida em que ele se encontra sempre sozinho. O Forever Alone surgiu em 2010.


Rage Guy – 
O Rage Guy (Cara Furioso, em português)  apareceu, em 2008, aproximadamente. Ele era usado – e ainda é usado – para ser colocado em tirinhas aonde acontecem coisas do cotidiano que te deixa furioso, fazendo com que você grite “FUUUUUUUUUUUUUUU-“.

Okay Guy – Okay Guy, foi visto pela primeira em 2010. . É usado nas mesmas situações do FUUUUU-, mas, ao invés de você ficar muito furioso com a situação, você se conforma com ela, apenas abaixa a cabeça, fica chateado (ou triste) e diz um simples “Okay”.

ME GUSTA – Uma cara extremamente estranha, dizendo “Eu Gosto Disto”. A origem do “Me Gusta”, é meio incerta. Muitos blogs acham que esse meme pode ter surgidono final de 2010. Dizem que quem o criou foi um cara do Reddit, e ele ainda disse ter postado o “Me Gusta” pela 1ª vez no 4chan.

LOL GUY – É usado para expressar uma reação diante de algo bobo ou apenas uma risada ou cai numa gargalhada sem fim.

Mais recentemente percebemos o surgimento de novos memes, um deles foi o viral de um vídeo criado por uma produtora, no qual um menino fala sobre a sua família e seu dia-a-dia. Em poucas horas a propagação aconteceu e o conteúdo foi explorado pelos internautas, utilizando-se do termo “ melhor é quando vamos à baleia!” Confira: Vamos à baleia.

Outro caso foi da senhora Cecília Giménez que “tentou” (tentou realmente) restaurar uma pintura famosa de Elias Garcia Martínez. A restauração não deu muito certo, e o resultado foi a viralização de imagens brincando com a nova pintura criada pela senhora de 80 anos. Confira: Ecce-homo

Uma restauração “inovadora”

Um caso interessante também é o fato desses memes não estarem mais somente na Internet, se dirigindo ao dia-a-dia das pessoas, e até mesmo sendo utilizado por marcas e programas de televisão.

Imagem de divulgação da empresa Gol Linhas Aéreas no Facebook

Em outro aspecto, vimos também, um cara com a canção “sou foda” indo para programas televisivos. Assim como, vimos as cenas congeladas finais de uma novela se propagando no meio virtual e caracterizando uma relação existente entre mídia digital e o meio de comunicação tradicional.

Cena congelada da novela “Avenida Brasil”

Podemos perceber que o uso dos memes se tornou rotineiro, e que alguns destes tem um pequeno período de viralização, sendo esquecido ao longo do tempo. Outros porém, permanecem como expressão dos seres e se tornam uma forma de comunicar-se.

E você o que acha dos memes?

 Raquel Recuero – memes     Sobre memes

Quem você é nas redes sociais?

Todo dia é dia de reclamar nas redes sociais, é um tal de: eu não gosto disso, eu compartilho aquilo, vou fazer história, fui almoçar um boi, fui para a festa e só lembro que voltei, alias nem lembro como voltei.

É tanta história social, tanto riso por brincadeiras que me pergunto até onde a verdade prevalece e até onde essas ações afetam o cérebro?

É certo que a emoção deve ser exposta, que a informação está aí a toda hora para todos acessarem e em todos os lugares. Porém, a informação está distorcida, a indireta é dirigida e tudo é exposto, é dito, é presente, é o famoso “eu sou” ou “eu estou”.

Interessante ou banal é na rede social que nos encontramos diariamente até bem mais do que na vida “não virtual”, na qual vamos aos mesmos lugares e vemos as mesmas pessoas.

As personalidades nas redes são mais diversas, vai de quem se acha o mais sério de todos e critica o governo, a sociedade, a televisão, a revista e o comentário de outro. Talvez não seja o mais sério, mas quem sabe o mais chato.

Existe também aquele que curte tudo, seja uma foto de uma festa, seja o seu check in em algum lugar, seja sua mudança de relacionamento para solteiro e até mesmo sua postagem de luto. Esses são os chamados curtidores viciados, ou talvez carentes ao extremo que precisam mostrar um: “estou aqui, me olhe, veja como curto o seu status atual.”

Encontramos também os compartilhadores. Não os que dividem tudo e pensam nos outros e sim aqueles, meu caro, que dividem até demais: é foto de animais mortos, é mensagem do cantor que se intitula poeta, é texto com autor trocado, é um contexto de conteúdo que nem ele ao menos sabe porque compartilha. Este sofre da extrema doença de querer compartilhar sem parar.

Doenças atuais também são detectadas naqueles que usam a rede social como um diário: contam o que fizeram, com quem estiveram, aonde foram, com quem dormiram, com quem almoçaram, com quem acham que vão casar e além, é claro, da data de sua morte (a qual descobriram em dos aplicativos que seus outros amigos compartilhadores viciados usaram).

Existem também aqueles que acreditam em tudo, desde a notícia de um site de piadas, até mesmo na salvação da vida das tartarugas do Egito.

E aqueles outros que acham super interessante compartilhar todas as promoções possíveis, é um tal de eu quero esse jantar, quero aquele porta jóia, quero um presente da sexy Shop hoje!

É claro, promoções são legais, mas fazer do seu perfil uma central de promoções se torna um exagero, a não ser que você resolveu se tornar uma central de divulgações de promoções de todas as empresas e de todos os lugares do mundo e não quis ganhar nada com isso.

As redes sociais são ótimos lugares, cercadas de gente doida e apressada, que curte, compartilha e comenta enlouquecidamente, quase um pântano, uma natureza selvagem, de ataques comentados. É… não que isso seja tão diferente da vida “não virtual” ou de um vídeo game.

E você já imaginou como seria o Facebook ou Twitter fora do mundo online?

Essa galera sim:

A Comunicação Persuasiva na Revolução da Informação

No passado a comunicação estava voltada para a mídia de massa e com o surgimento do computador pessoal e de novas tecnologias esse contexto mudou. As primeiras teorias da comunicação viam o consumidor como um alvo-amorfo, ou seja, que este recebia a Publicidade e as informações dos meios de comunicação de massa e as aceitavam sem questionar. Atualmente, vivemos em um contexto tecnológico onde o consumidor se faz presente, expõe suas necessidades e interage com a marca. Nesse contexto podemos questionar: como se dá a persuasão neste ambiente digital?
Lazarfeld (1964) apontou que existiam diferenças entre o público, que nem todas as pessoas recebiam as informações da mesma maneira, pois fatores sociais e experiências influenciavam o consumidor na hora da escolha. Posteriormente com o advento da Internet, conforme afirma Canesso (2002), existiu uma mudança:

“Com a rápida difusão da Internet e o crescimento desenfreado no número de usuários, as empresas precisam se expor e expor seus produtos ou serviços onde o consumidor está, desencadeando uma completa mudança na comunicação publicitária.” (CANESSO, 2002, p.1).

Castells também fala sobre essa revolução de informação, o autor comenta que durante os anos 80, o capitalismo passou por um processo de reestruturação e a tecnologia exerceu uma função fundamental:

[…] a disponibilidade de novas redes de telecomunicação e de sistemas de informação preparou o terreno para a integração global dos mercados financeiros e a articulação segmentada da produção e do comércio mundial […]. (CASTELLS, 2000, p. 98).

As novas tecnologias trouxeram, portanto, transformações para a sociedade. Ao mesmo tempo em que estas novidades facilitaram o processo do comércio, percebemos também a presença do consumidor na Internet. E neste local, conforme afirma Lévy (1999), o consumidor encontrou a possibilidade da interação, de um universo de informações, onde todos podem contribuir de sua maneira. Talvez esse consumidor tenha encontrado na Internet um meio de questionar e expor os seus desejos e anseios a respeito das marcas se tornando mais ativo na construção de informações e conteúdos sobre ela.
Podemos dizer que existe um maior envolvimento entre os consumidores e as marcas presentes no meio digital. A pesquisa 2012 Brazil Digital Future in Focus realizada pela ComScore, define que o Brasil, atualmente, já é o 7º maior mercado de Comércio Online no mundo. 1 Isso quer dizer que há a necessidade de estudar esse novo contexto, onde a comunicação está estabelecida.
Através da rede é possível que o consumidor exponha os seus desejos e anseios frente às marcas e produtos, podemos ver isso, através das publicações em Blogs, em Redes Sociais e sites como o Reclame Aqui, no qual é possível apontar problemas de serviços e produtos de uma marca. Pensando neste aspecto, como podemos imaginar que se dá a comunicação persuasiva no meio digital? Ao passo que neste ambiente, o consumidor também tem um poder de informação contundente, podendo em questão de minutos manchar a imagem de uma marca através de uma informação pejorativa com vídeos, imagens e conteúdos, por exemplo.
Talvez tenhamos que pensar diferente da comunicação persuasiva tradicional, saindo dos meios de comunicação de massa e pensando que existe um ambiente com públicos distintos e específicos. A persuasão pode ser definida como: “[…] um processo onde um ator ou sujeito busca no outro, individual ou coletivo, um efeito de concordância, aceitação de um valor, uma proposta ou mensagem dentro de um contexto.” (STEFFEN, César. 2007. pág.2.).
Deste modo, Steffen (2007, p. 3.) apud Roiz (2002, p.97) comenta que a persuasão resulta da elaboração de mensagens que pressionam o psicológico de um sujeito e fazem com que ele tenha ações condizentes com modelos determinados. Para o autor, a condição tecnológica atrai o cidadão, essa referência usada diz respeito ao fato de que a quantidade de recursos existentes, como imagens, sons e movimentos, aproxima o indivíduo para uma experiência “midiática-sensorial”, ou seja, essa aproximação já poderia se tratar de uma forma de persuasão.
A Internet passa a funcionar como um meio no qual o consumidor é ativo e a marca também. Steffen faz referência a esse aspecto no momento em que fala de interação, ressaltando a relação existente entre a tecnologia e o conteúdo produzido.
No meio digital uma marca pode oferecer o seu conteúdo para os receptores com informações específicas, e estes ao receberem essas informações podem desenvolver os seus próprios conteúdos.  Pensar a persuasão no meio digital é como pensar em realizar uma pesquisa sobre o que este consumidor está falando, comentando, reclamando ou sugerindo e realizar estratégias em cima dessas manifestações. É preciso estar atento a esses aspectos.
Outro aspecto importante é de que o usuário das tecnologias tem a possibilidade de pesquisar e comparar produtos e marcas de uma forma abrangente, devido ao grande número de conteúdo informativo existente na Internet, por exemplo. Pensando nisso, também existe a necessidade de trabalhar conteúdos interessantes que atraiam o consumidor no momento em que ele realiza a pesquisa.
Penso que a construção de uma mensagem persuasiva não faz mais somente parte da agência publicitária ou de um conjunto de palavras que podem atrair o consumidor, é necessário ir além, e perceber o que o consumidor anda produzindo. E algumas vezes essas produções poderão ser utilizadas pelas próprias marcas. Como é o exemplo das campanhas publicitárias que possibilitam ao receptor a participação, através de vídeos, conteúdos imagens e testes tecnológicos que acabam aproximando o público-alvo da marca.
Penso que a persuasão em meio digital se trata de uma relação onde é aberta ao consumidor a possibilidade de fazer parte da construção da marca, de suas imagens, de seu conteúdo e da sua exposição. Poderíamos até dizer que o consumidor atual quer ser visto e não somente ver a marca, por isso, se torna interessante abrir essa possibilidade a ele.
Diferentemente da mídia tradicional, as tecnologias acabam aproximando pessoas e marcas, pois ao mesmo em que estou numa Rede Social por exemplo, tenho a acesso a marca e ao seu conteúdo no mesmo ambiente. Porém, é interessante que se saiba que essa marca é vista somente porque resolvi segui-la, ou seja, de algum modo ela atraiu a minha atenção.
Talvez essa seja mais uma mudança entre marca e consumidor, ao passo que, o público procura determinada marca, por suas preferências e desejos. Este mesmo fato pode acontecer, por exemplo, quando um consumidor escolhe um produto da marca Apple e não aceita de outros concorrentes. Com isso, acredito que a revolução da informação está relacionada às necessidades percebidas no consumidor, pois as empresas podem obter através das informações dos consumidores das tecnologias, dados que poderão ser utilizados na projeção de novos produtos.
A revolução da informação abriu caminhos para uma construção cooperativa, e acredito que isso é que vai definir a formação do conteúdo persuasivo. Acredito também que é necessário estar atento, usar de pré-testes de produtos, como os conhecidos “Betas”, por exemplo, produtos que ainda estão em fase de testes. É preciso buscar no consumidor essa fonte que ele procura nas tecnologias, para então conversar com ele. Sob outro aspecto, é necessário apresentar vantagens ao consumidor, se relacionar e ao mesmo tempo se utilizar de dados específicos para saber onde está o público-alvo de um produto. A persuasão no contexto digital está relacionado ao desenvolvimento de conteúdos interessantes e aplicações que possibilitem ao receptor a participação e a construção de novos conteúdos junto com a marca.

REFERÊNCIAS:

CANESSO, N. S. A Publicidade e a Nova Mídia. In: Claudio Cardoso. (Org.). Comunicação Organizacional: novas tecnologias, novas perspectivas. 1. ed. Lauro de Freitas: Unibahia Editora, 2002, v. 01, p. 91-108.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

LAZARSFELD, Paul. Os Meios de Comunicação Coletiva e a Influencia Pessoal. In Panorama da Comunicação Coletiva. Rio: Editora Fundo de Cultura, 1964.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: 34, 1999.

STEFFEN, César. Estratégias de persuasão nos meios digitais: construindo um caminho de problematização a partir da perspectiva da violência simbólica. In: Revista Travessias. Num. 01. Pesquisas em educação, cultura, linguagem e arte Disponível em: <http://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/2718 >
Acesso em: 17 de jun. 2012.

1 Atividade nas Redes Sociais Aumentou no Brasil Ano Passado Impulsionada pelo Crescimento do Facebook. Disponível em:<http://www.comscore.com/por/Press_Events/Press_Releases/2012/3/Brazil_s_Social

_Networking_Activity_Accelerates_in_the_Past_Year> Acesso em: 23 de mar. 2012.

O casal

Diretamente ou indiretamente todos tem algo para falar. Seja sobre o dia que amanheceu com um sol maravilhoso ou com uma chuva que estrondosamente resolveu surgir. Todos os seres por instinto nascem com aquela vontade de comunicar-se, de dizer o que pensam e compartilhar ideias. Porém, era claro e perceptível que ela nascera com este dom acima do desejado, do esperado.
Em uma destas manhãs:

Ela: “Amor sonhei que estávamos longe, viajando, em algum lugar, acho que era Paris, não, não, era o Japão. Pensando bem, não tinha japoneses lá, muito menos olhinhos puxados… Hum… deve ser… Amor lembra-se daquela blusa cor-de-rosa que comprei? Troquei-a com a Márcia! Ficou ótima nela e fiquei com essa pretinha dela, é linda não é?”.
Ele: Que bom amor…
Ela: “Que bom? Você só acha bom? Que tal viajarmos para o Japão? Poderíamos ver tantas coisas, tanta gente… Tu achas que vou ficar legal nessa blusa? Ou devo trocar? Amor eu estou gorda? Talvez eu tenha que cortar o cabelo, que achas? Amor… fala algo…”.
Ele: “Teu cabelo está ótimo assim.”.
Ela: “Não, está muito grande. Vou cortar, pintar, será que fico bem de ruiva?
Ele: “Ruiva?”
Ela: Que foi? Se eu fosse ruiva você não iria ficar comigo?
Ele: “Não, não, muito pelo contrário!”.
Ela: “Quer dizer que você prefere as ruivas então?”.
Ele: “Não, não foi isso que quis dizer”.
Ela: “Foi isso sim! Eu sei! Você não me quer mais!”.
Ele: “Mas eu não disse nada!”.
Ela: “Justamente, você nunca diz nada!… Vou lá trocar de novo essa blusinha com a Marcinha, acho que a cor-de-rosa é bem mais bonita…”.

Vai entender…

Autorretrato

Falar de mim parece difícil,
é algo como descrever-me,
e para nós, seres humanos,
é uma forma de tentar entender-se,
impor limites.
Definir-me, de certa forma, eu acho impossível.
Até por que… Quem eu sou realmente?
De sonhadora ainda tenho um pouco,
Porém menos do que tinha na infância.
Ao contrário da minha imaginação que só se expandiu.
De criadora tenho as artes, artes dispostas em meio à comunicação,
a redação publicitária, a internet e aos meios gráficos.
Tenho várias paixões, platônicas ou não, elas têm o seu valor:
músicas, livros, pesquisa, comportamento humano,
comidas vegetarianas e chinesas, dias de sol,
chocolate quente, textos pequenos e grandes,
Mário Quintana e seus “quintanares”,
Machado de Assis, Caio Fernando,
Porto Alegre, e tantas outras paixões que fazem parte deste
meu relacionamento poligâmico com o mundo.
Sou de câncer, destes que só sendo canceriano mesmo,
para entender os motivos de tanto sentimentalismo.
Sou ourense. Nasci em São José do Ouro,
cidade localizada no norte do Estado do Rio Grande do sul.
Nasci em umas dessas madrugadas congelantes do mês de julho,
mas nem por isso eu amo o inverno.
Sou revoltada contra injustiças e se precisar falar eu falo,
mas também, se for para fazer rir tenho as minhas táticas.
Penso que sou eu hoje e amanhã serei outra,
talvez mais eu, mais completa.
Não sei. Como eu dizia, tentar definir-me
é complicado, é limitar-me
e nem sempre eu vejo limites no viver.