Peças de uma vida

A realidade do país
Vai além da televisão
O viver do infeliz
Já esteve em muitas mãos

Naquela noite,
o vento resolveu soprar diferente
e cortar como foice
os sonhos da  minha gente.

Sorrisos pálidos,
Amarelados diante da dor.
Olhares ávidos
Pelos motivos do horror

O que diziam os meus
Quem era? Quem foi?
O que seria meu deus?

De nada hoje eu sei
Do que vivi e do que sou
Sou eu ou eu sonhei?
Vestígios de uma dor que o tempo carregou.

Sobre “Amor à vida”

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Na tentativa de falar sobre diversas “causas sociais”, o roteiro acabou se perdendo. Talvez se um ou dois fatos fossem mais aprofundados, poderíamos ter mais discussões interessantes. (Confira algumas Campanhas sociais abordadas).

A obra de Walcyr Carrasco sofreu várias mudanças, personagens sumiram e os que foram criados como protagonistas, Bruno e Paloma, perderam o posto para o personagem Félix, interpretado pelo ator Mateus Solano. Ator que, a propósito, foi oque manteve a audiência da novela.

Não sou muito de novela, mas é interessante entender a repercussão que ela causa, a reação do público/consumidor e a importância dele como influenciador.

Neste ponto; percebemos que o meio de comunicação, televisão, está sendo influenciado e muito pelo meio digital. E isso, deve ser considerado como um dado importante para nós, comunicadores, que falamos diretamente com as pessoas que estão na internet, mas que também estão na frente da televisão. As mudanças muitas vezes feitas no roteiro da novela tiveram, na maioria dos casos, relação direta com o público que a via e deixava seus comentários nas redes sociais e outros canais.

Assim, podemos pensar no quanto de poder o público tem sobre a mídia e também no quanto comercial é um programa televisivo.

2013 diz adeus

Os melhores de 2013 estão nos jornais. Se são os melhores não sei. Mas vi tanta coisa que não queria ter visto. Vi tanta realidade, que preferia estar sonhando.

De qualquer modo, de um jeito ou de outro, o país se revoltou, gritou pelas ruas, levou bala de borracha e gás lacrimogêneo. E quando menos esperávamos, o orgulho nacional foi apedrejado, deturpado.

Em outros lugares; nos hospitais, por exemplo, as filas aumentaram e os tempos de espera extrapolaram o horário nobre. Falando em nobre, não vi muito a presença da nobreza por aí. Alguém sabe onde guardaram o seu verdadeiro sentido?

Vimos sim, mais um rei do camarote, querendo ser visto aos quatro ventos e ganhando em troca uma “memetização” monumental, uma exposição indesejada. Legitimidade dos coxinhas brasileiros, alucinados pelas “minas da balada” e pela “ostentação de uma bebida que pisca”. Autenticação da futilidade nacional. Fato que remete à supervalorização do ter e do querer parecer, que muitas vezes foram sinônimos de exposição, privacidade divulgada e egocentrismo (quase que) doente.

Vimos a música nacional transformando-se em composições sem sentido e em ritmos desconcertantes e discordantes. Repetições exacerbadas de “lek lek”, “lê lê lê”, “poderosas” e “recalcadas” (termos que não acrescentaram muito ao vocabulário dos brasileiros).

Não quero ser pessimista. Lembrem-se também que presenciamos o decreto da prisão dos Mensaleiros (vulgos corruptos nacionais que pareciam impunes). Agora, se suas punições serão realmente cumpridas são “outros 500” (meme do milênio passado?).

Outro fato, bem visível foi a expansão da Internet, que fez também com que aumentassem os xingamentos, as ofensas e as revoltas. Mas não só isso, tivemos também alguns pontos positivos, como o aumento dos debates sobre determinados assuntos com um alcance global. Pudemos presenciar opiniões dissonantes, em âmbito nacional, sobre uso de drogas, política, corrupção, impunidade, direitos humanos, preconceitos, injustiças, etc. E em alguns momentos, até mesmo, a solidariedade.

De fato, a Rede Mundial de Computadores nos aproximou em determinados casos. Já em outros, nem tanto. Percebi em 2013, uma nação que viveu voltada para esse meio, não que eu ache isso de todo ruim, mas os protestos, por exemplo, para alguns virou somente imagens para serem divulgadas em seus perfis na redes sociais.

Um 2014 se aproxima. E o que podemos esperar? Teremos um ano repleto de informações e movimentações. Logo virando a esquina, teremos a Copa do Mundo. Qual será o seu legado? Quem a queria? Nem todos. Mas como dizem: “manda quem pode”. De todo mal, alguns piores. Posteriormente a ela, teremos as eleições. E em meio a isso, as propagandas, os discursos e os debates prometem ser excitantes.

Espero que o Brasil não durma no ponto, e que nós, brasileiros, não esqueçamos que o futuro da nação não dura apenas um mês. Que no final de 2014 eu possa remeter aqui muitas coisas positivas.

É permitido proibir

Em certos locais do mundo é permitido proibir.
Na Califórnia, por exemplo, não podemos andar de bicicleta dentro de uma piscina. Que despautério! Eu, um ser terrestre – apesar da fobia a piscinas, mares, rios, açudes,… – não posso, se quer, pensar nas consequências deste impedimento!
No Alabama, se colocarmos um sorvete no bolso de trás da calça, nos tornamos criminosos, em questão de segundos. E no Havaí, não podemos colocar moedas na orelha. Essa é uma ação estritamente proibida.
No Texas, as crianças não podem ter cabelo fora do comum. Se essa lei existisse no Brasil, eu não teria aquele cabelo estilo Chitãozinho e Xororó quando criança. (Essa me pareceu um boa ideia).

Ah! E no Arizona, nem pense em ter dois vibradores em casa, hein?!

C’est la vie…
Apesar dos pesares, o Brasil me parece um bom lugar.

Não dê tanta importância para um aplicativo

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Instalei o tal de Lulu por curiosidade. Gosto de entender o que faz com que as pessoas se sintam tão interessadas em algo. E esse, de fato, é um aplicativo polêmico. Mas pensar que as pessoas gostam disso, realmente me assustou.

Acessei-o, vi as avaliações de alguns conhecidos, entendi o funcionamento do programa e resolvi desativá-lo, excluí-lo. Coisas desse tipo não me agradam muito. Até mesmo, porque não acho interessante saber se aquele ou se esse outro é de um jeito ou de outro. Prefiro conhecer as pessoas cara a cara mesmo, entende?

O aplicativo, chamado por alguns de feminista, nada mais é do que o que muitas pessoas conversam por aí, entre uma conversa de bar e um encontro com amigos. Os homens podem muito bem falar dos detalhes secretos de determinada mulher, mas no momento em que as mulheres revelam alguns dos deles, o mundo vira do avesso (percebemos muito bem isso por meio das reclamações de muitos nas redes sociais).

Julgamentos a parte, achei o aplicativo inútil, assim como, muitos outros que têm surgido em meio a essa expansão da tecnologia. Cá entre nós, muitas das pessoas não são sinceras nem no nosso mundo real, elas iriam ser em um aplicativo? E outra, quem precisa de um aplicativo para saber se deve ou não conhecer determinadas pessoas, precisa rever seus conceitos de relacionamentos e valorização.

Conforme a criadora, ele trata-se de um aplicativo que sabemos que as mulheres precisam. Vocês precisam mesmo disso? Não sei, isso está me parecendo um mercado de escolhas, por mais que as algumas relações atuais pareçam isso, esse é um daqueles exageros deprimentes.

E já há manifestações sobre o surgimento do “Lulu” versão masculina, o que pode gerar ainda mais polêmicas. Não estou preocupada, nem um pouco. Afinal, sabemos muito bem quem somos, como somos e o que fazemos.

A sociedade está tão afoita por respostas rápidas, facilidades, agilidades que esquece até mesmo que não somos perfeitos e temos as nossas falhas. Quem gosta de você de verdade não se importa com as suas hastags em um aplicativo lucrativo.

Amar amadurece

À primeira vista, parecia tudo tão claro e normal que eu não me questionei o que poderia acontecer depois e em que esse encontro poderia se tornar.

Como somos ingênuos quando não percebemos que alguém a nossa frente pode se tornar significante em nossas vidas. Percebi então, que era muito mais do que um momento no instante em que me tornei também pessoa de interesse e de cumplicidade. No momento em que a vi muito além do que parecia ser e a quis como alguém com quem gostaria de dividir momentos e, que talvez, uma vida inteira. Foi aí então, que senti que a insistência dos acontecimentos tinham algum sentido. E que, apesar de eu não ser religiosa ferrenha, não havia como negar que o nosso encontro não era um acaso, mas tinha alguma razão para acontecer.

Nos últimos tempos, cresci. Cresci muito além do que imaginava. Descobri que o amor talvez não seja aquele sentimento que acontece num momento exato, mas o que vai crescendo e amadurecendo ao longo do tempo. A cada dia, a cada instante, o amar torna-se doar, compartilhar e fazer sorrir, cada vez mais intensamente e verdadeiramente. Você vai entendendo cada detalhe do outro, cada olhar, cada toque e percebe que nada poderia ser diferente e que finalmente você se encontrou.

“Fazer uma família e ter filhos” talvez já tivesse passado pela minha cabeça alguma vez, mas naquele tempo eu era apenas uma menina desejando coisas para o futuro. Hoje, esse pensamento é mais real e passível de acontecer, não digo pela idade, mas por crescer com alguém com quem posso dividir esses sonhos e que tem se tornado uma base de companheirismo junto com e como uma família.

Muitos procuram o amor, questionam a sua existência, o jogam no lixo como algo sem razão de ser vivido. Mas cá entre nós, para mim, não há nada melhor do que chegar em casa e receber aquele sorriso e apoio que me faz ver a vida de outro jeito. Não há nada melhor do que compartilhar a felicidade verdadeiramente, do que aquele abraço apertado quando sentimos medo do mundo e nos revoltamos com as injustiças das coisas. Não há nada melhor do que aquele apoio e compreensão. E, é claro, não há nada melhor do que ver que aquele sorriso faz parte do seu.

Não amamos por nós, mas pelos e com os outros. O amor torna-se um fazer o outro sorrir, fazer o outro feliz. Ver o outro como alguém com quem se quer compartilhar cada instante, com quem se quer construir um lar, um cantinho, ter filhos, ficar velhinho (por mais clichê que pareça, existem essas vontades). Aquele alguém com quem você não se importa de ficar até tarde da noite, em qualquer lugar, esperando a chuva ou o frio passar, ou simplesmente, o sono chegar.

Quando menos imaginamos alguém nos faz ver a vida com outros olhos e nos completa inteiramente. Se você ainda não encontrou, não tenha pressa, as melhores coisas não avisam quando irão chegar, simplesmente acontecem.

O que veio com a neve?

No começo da semana, neve.
No final dela, sol.
A reação causada pela neve, que caiu na terça-feira, foi interessante.
Cedinho da manhã via-se, pelas ruas de Caxias do Sul, pessoas sorridentes e contagiadas pela novidade.
A neve nos faz lembrar dos contos de fadas, fantasias, infância e momentos que raramente presenciamos, justamente, por morarmos em um lugar não muito propício para que coisas como essa aconteçam frequentemente.
Neste dia, vi sorrisos, não vi pessoas tristes ou de cara fechada por ter que acordar cedo ou estar frio.
Confesso também que achei empolgante e até emocionante o descobrir da neve ao acordar, tanto é, que fui chamar todos para vê-la também.
Outro fato curioso e até mesmo divertido, causado por ela, foi ver pelas ruas, os carros cobertos daquele gelo bonito.
Vi bonecos por toda parte,de todos os jeitos, de todas formas, em cada rua, em cada esquina, em cada lugar possível.
Me veio a constatação, a felicidade surge de coisas tão simples e, apesar disso, muitos ainda continuam a procurando em outros lugares.
Fiquei feliz por ver pessoas felizes.
O polemistas dirão que a neve foi comprada para trazer a felicidade geral da cidade/estado.
Mas cá entre nós, esse presente não foi nada mais nada menos do que algo oferecido pela mãe natureza.
Falando em mãe natureza…
Muitas vezes estamos tão focados no dia a dia, na correria, camuflados em meios tecnológicos que acabamos deixando-a de lado.
Desta vez, ela soube despertar a atenção de todos e conquistar cada um de nós. Há tantas coisas do lado de fora da janela e das paredes que nos cercam, e ela quis mostrar isso através de suas belas paisagens.
A “felicidade” que surgiu pela neve ficou arquivada em nossas fotos. Durou pouco, apenas um dia… Que venham outros dias alegres, outros dias de neve, outros que possam ser compartilhados entre todos nós.

Caxias do Sul 27/08/2013

Caxias do Sul 27/08/2013

Caxias do Sul 27/08/2013

A faceta religiosa-política e os direitos humanos

Declaremo-nos seres humanos livres, iguais e distintos e ao mesmo tempo com os mesmos direitos.

Este seria o princípio de toda a vida. Todos teríamos os meus direitos, independente de credos, cores, amores, dores, personalidades, gostos musicais, ideologias… Todos seriam iguais.

Estavam brincando, não é mesmo? Ou vai me dizer que esse discurso era para ser verdade? Isso, para mim, assemelha-se a certa distorção e a um barulhento ruído sem fim.

Hoje temos um ambiente amplo de compartilhamento de conhecimentos e ideias. Dentro deste ambiente, vemos as diversas faces da sociedade brasileira se inserindo no meio digital e os pensamentos sendo discutidos e opinados de variadas formas. Cada vez mais, o ser humano está procurando expressar-se de algum modo, mesmo que muitas vezes não faça sentido algum.

Percebo um país enlouquecido, e esta loucura diz respeito ao que falamos, como agimos e como nos portamos diante dos fatos. A cada instante, um novo acontecimento é apontado pelos meios de comunicação, e as redes sociais se tornam um espaço de divagação de ideias, algumas até mesmo precipitadas, outras ignorantes e outras sem motivo de existirem, mas, diante disso, há de se convir que a sociedade quer ser ouvida.

Isso nos mostra um país que almeja a mudança moral e ética em seu desenvolvimento. O Brasil está regrado por uma ditadura que se implanta com alcunhas religiosas no ambiente político e se torna um local de apoderamento e julgamentos inaceitáveis de um fundamento indigno de ser ouvido.  O direito humano nacional está se distorcendo.

Somos seres iguais por trás da pele que nos protege, do dinheiro que nos engana, da ganância que nos cerca e das crenças que nos tapam os ouvidos e olhos. Somos seres pensantes e também feitos de alma, a qual não julga e não acusa diferenças e exclusões sociais. Somos seres iguais, de pele e osso, diferentemente do que muitos julgam por aí.

Estranho é perceber defensores do “bom” cidadão e da “boa” família, julgando, desrespeitando e implantando preconceitos nas mentes da sociedade.

Não é de hoje que a política no país não é um bom exemplo a se seguir, mensalão para cá, laranjinha para lá, um parente empregado, o bolso farto de um deputado, uma conta no estrangeiro e uma lavagem de dinheiro. Parece até poesia, rimada e bem pensada, mas não é, meu caro, a sociedade não é poesia. A sociedade está se corrompendo por motivos, que cá entre nós, são outros.

Todos os dias, famílias e famílias sofrem no país, mas não é por casos como mencionam os nobres senhores. É pela educação de pouca qualidade, pelo desprezo social e pelos roubos dos cofres públicos do que poderia ser investido em uma melhoria social. É pela violência que afeta a nossa vida todos os dias.

Ah! Meu caro, o problema da sociedade não é se sou negro, ateu, gay, branco, índio, muçulmano, americano, católico etc… O problema está em não olhar cada ser com o coração verdadeiramente.  A solução não está no seguir preceitos escritos ou leis já outorgadas, ela está no sentir o outro e estar na vida do outro. A partir daí, é que os direitos humanos começam a nascer.

 

O Processo – Um caso curioso

Obra de Franz Kafka

De maneira inicial, folhei com lentidão as primeiras páginas do livro. Ao começar a leitura de “O Processo” do autor Franz Kafka, senti-me deslocada com os personagens e com a situação, porém ao decorrer da história fui me apegando ao caso, e claro, criei uma simpatia pelo personagem principal, o Josef K.

“O Processo” conta a história de K., um homem que trabalha em um banco e que possui reconhecimento social, além de uma vida honrada e corriqueira. Um alguém com particularidades e uma vida independente.

“O processo” se inicia a partir do momento em que K. é autuado pela acusação de um crime. Ele, de fato, estava sendo julgado como culpado de algo acontecido. Isso nos faz prender a atenção nos detalhes que possam nos trazer respostas sobre o caso.

O senhor K. também tem suas dúvidas com relação ao seu caso e consegue ajuda e opiniões dos mais diversos setores, entre advogados, pintores, senhores poderosos e engravatados etc.

Em meio a isso, ele descobre um tribunal corrupto e cheio de falhas, que não condiz com o que está escrito nas leis e não respeita certos direitos e deveres. K. descobre tantas indefinições e relações estranhas durante a sua história, que nos perdemos tentando entender a lógica do sistema, e chegamos a sentir a angústia deste homem em busca de respostas para seu destino.

De fato, essa história me prendeu no momento em que criei afeição pelo personagem. Através de um texto detalhista e discursivo, Franz Kafka desperta o que há de arraigado em cada um de nós, a nossa fome pela justiça. Ao mesmo tempo, o autor nos faz acreditar e concordar com uma opinião, e em questão de segundos, ele nos diz o contrário, nos convencendo do contrário. Genialidade essa, que poucos escritores conseguem realizar: “A compreensão correta de uma coisa e a má compreensão desta mesma coisa não se excluem de todo”. Franz Kafka.

É claro que eu não poderia deixar de comparar esses fatos com a atual sociedade em que vivemos. Uma obra lançada em 1920 se torna atemporal em seu discurso e caso, pois todos os dias estamos à mercê da corrupção, falhas judiciais, burocracias, autoritarismo, aproveitamentos e discursos que não levam a lugar nenhum.

Fazem 93 anos que este conteúdo roda o mundo, sendo um dos livros clássicos da literatura mundial e, ao que me parece, a situação da justiça (ou injustiça) é a mesma, até mesmo ampliada.

Para quem gosta de uma boa leitura e de um pouco de reflexão e sociologia, essa é uma obra perfeita.