O Feminismo e a Publicidade

Todo dia nos deparamos com movimentos pela liberdade de escolha, de vida, de ações e por ai vai. Durante anos, um movimento se manifesta na sociedade mundial e busca dentre muitas coisas conquistar direitos que até então, em um passado recente, eram negados. O movimento feminista nasceu diante de fatos históricos e religiosos, devido a uma repressão de um desenvolvimento social machista e centrado na família, na qual o homem era quem estabelecia o poder, comandava o crescimento familiar, era o progenitor e consequentemente as mulheres tinham que obedecer suas ordens, e por isso tinham uma existência planejada bitolada pelo seu parceiro. Neste âmbito muitas mulheres estavam destinadas a ter uma função de dona de casa, passavam o dia atarefadas com os filhos, comidas e cuidados com o marido. E a publicidade nisso tudo?
Pois bem, os meios de comunicação tiveram determinadas épocas de surgimento, o rádio, por exemplo, teve sua primeira transmissão no Brasil por volta de 1922, porém, só anos mais tarde se estabeleceram os radiostransmissores.  A sua popularização alcançou um bom nível quando a narração passou a ser transmitida pelos seus meios, a radionovela se tornou o centro das atenções da sociedade da época, estimulando o pensamento e a imaginação dos ouvintes, e consequentemente o público que ficava em casa, no caso as mulheres, se tornavam grandes fãs do meio. Isso fazia com que existisse um investimento publicitário através de spots, jingles e promoções voltadas ao público que estava atento ao meio de comunicação. Depois da Segunda Guerra Mundial o meio que tomou a liderança no lugar do rádio foi a televisão, apesar de ser um equipamento caro na época era supervalorizado pelas famílias que podiam comprar. A televisão a cores no mundo passou a existir no ano de 1954.
Diante destes fatos, a comunicação publicitária da época voltada para as mulheres se dirigia a elas de forma diferenciada e muitas vezes falando de produtos domésticos, comidas, afazeres da casa que supervalorizavam o marido, como se o produto fosse uma forma da mulher encontrar meios de agradar o seu parceiro. Abaixo, algumas propagandas da época: Todas retratam de alguma forma a mulher no cuidado com a beleza, além de tarefas denominadas “femininas”:

O tempo foi passando, as mulheres conquistaram o direito ao voto, o direito a coisas que antes não lhe era dado. A mulher se colocou no mercado como um agente social saindo das casas e indo para às indústrias, mostrando-se a capaz. A mulher estudada começou a tomar posse de um novo mundo e conhecer um espaço social que se podia conquistar. Em uma época ela passa a dirigir e perceba um anúncio que diz respeito: 

A mulher dirige, porém suas tarefas estão voltadas  para a família e a casa, nada além disso, enquanto o homem simplesmente trabalha. E muitas propagandas rodam por ai retratando o machismo impregnado na sociedade época, o qual é representado em campanhas publicitárias que na maioria das vezes eram feitas por homens, outro exemplo na televisão:

E atualmente? Como anda a publicidade voltada ao público feminino? E como ela se utiliza da figura feminina nos anúncios?
Abrindo as portas, começo falando de um dos pontos mais criticados, a utilização da mulher nas propagandas de cerveja. Muitas das propagandas de marcas de cerveja fazem uma alusão do produto “cerveja” com o produto “mulher”. Há alguns atrás era comum se ver essas propagandas em todas as marcasde cerveja, nas quais, as mulheres se tornavam as “loiras geladas” e os homens que bebiam destas cervejas, segundo as propagandas sentiam o gosto delas e é claro conquistariam todas as pessoas do sexo feminino. Exemplos disto temos os mais variados possíveis, observe alguns: 

Além de propagandas também ainda ligadas aos afazeres domésticos:

E voltando ao aspecto de tarefas e afazeres da mulher, apesar de ela ter conquistado seu lugar no mercado de trabalho, ela continua com suas tarefas de casa, a chamada “jornada dupla” faz com que estas, sejam empresárias, donas de casa, bailarinas, professoras, mães, mulheres, empregadas e muitas outras coisas que deixam sua agenda completamente cheia.

Atualmente, a mulher já está socialmente estabelecida, a luta do feminismo tomou lugar para uma luta por ser bem sucedida profissionalmente, financeiramente e amorosamente. Em consequência disso, a comunicação também deve ser diferente do que se via no passado, a mulher não está mais subestimada às decisões do marido, e agora ela desenvolve muitas tarefas que antes eram destinadas somente ao masculino. Portanto, existe ainda uma falta de adequação e atualização de algumas marcas e comerciais diante deste novo mercado consumidor.

O Comportamento de consumo feminino mudou muito nos últimos anos, as mulheres são independentes.
E com relação ao movimento feminista fico a pensar no que é desenvolvido agora, ao meu ver, estamos numa época em que existem algumas radicalizações a respeito, algumas mulheres ainda tem pensamentos de inferioridade e acabam salientando que existe preconceitos de sexo em quase todos os aspectos. Esse é um fato que atualmente não se torna relevante, pois ambos os sexos já estão estabelecidos de forma igual na sociedade a época é do pós-feminismo e não mais do feminismo.
Porém, como comentei antes, algumas empresas ainda não perceberam essa sacada e ainda tentam de certa forma trazer a figura da mulher socialmente estabelecida ao contrário de forma mais masculinizada e superior aos homens, o que também na minha opinião é tentar causar desigualdade e não equilíbrio. Exemplo disso são as recentes propagandas da marca Bombril:

E ai como se comunicar com estes novos consumidores?

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One thought on “O Feminismo e a Publicidade

  1. Daia disse:

    “pois ambos os sexos já estão estabelecidos de forma igual na sociedade, a época é do pós-feminismo e não mais do feminismo”.

    Concordo plenamente com isto. Na revista Época dessa semana inclusive, a atriz Leandra Leal falou uma frase muito interessante: “A mulher já achou um lugar. O gênero que está em crise agora é o masculino”, e concordo com ela também sabe. A mulher está lado a lado com o homem hoje, e também não estamos mais num patamar de reclamação, insatisfeitas por termos muitas tarefas pra fazer. Vejo o processo em 3 tempos:
    - do tempo em que éramos inferiores e lutávamos por igualdade;
    - com a chegada da igualdade, uma certa insatisfação por ter que atuar duplamente, pois não perdeu o papel antigo;
    - e hoje, uma adaptação incrível e o fato de estar satisfeita com o papel que assumiu.

    E nessa história, não precisamos que os homens nos ajudem, como mostra o comercial da Bombril, ensinando eles a lavarem as roupas e tal. Na verdade eu vejo eles assustados diante de alguém que faz tudo que eles fazem e mais um pouco, e talvez precisem procurar um novo papel para si mesmos e não a coisa de sempre; e além do mais, muitos também já perceberam que não são mais os “maiorais servidos pelas mulheres”, esse pensamento é retrógrado. Mas se eles ainda não entenderam, não somos nós que vamos ensinar, eles vão aprender sozinhos, pois até onde eu sei mulher nenhuma mais está disposta a ficar limpando roupa de marmanjo, isso é passado.

    Com a conquista de direitos iguais, bem, eles também ganharam novas atividades, automaticamente, e estão sonhando se procuram uma mulher para limpar a casa pra eles como foi um dia há muito tempo atrás.

    Adorei o post! :D hahahaha até falei demais, beijo!

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